História de Igarapava

A região do município de Igarapava, foi local de descanso e passagem dos bandeirantes rumo às minas dos goyazes, sendo que essas terras foram doadas pelo rei de Portugal a dois famosos bandeirantes Bartholomeu Bueno da Silva ( Anhanguera ) e João Leite da Silva em 1720.
Segundo o historiador Jesus Marco de Ataídes em seu livro “ Sob o signo da violência” aqui viviam os caiapós do sul, indígenas que viviam da horticultura, da caça e da pesca. Viviam em grandes aldeias em forma de círculo. Guerreiros por natureza conseguiram enfrentar os ataques dos colonizadores e resistiram por muitos anos.
Igarapava, nasceu muito tempo depois, mais precisamente no dia 22 de maio de 1842, na fazenda Vargem Alegre de propriedade do Cap. Anselmo Ferreira de Barcelos, homem poderoso originário da Província de Franca, da qual teria fugido após matar um fiscal e estar prestes a ser condenado pela justiça local. Juntamente com o padre Zeferino Baptista do Carmo construíram a Capela de Santa Rita do Paraíso, dando origem a um povoado chamado Santa Rita do Paraíso.
A lei provinçal nº 7, datada de 7 de Fevereiro de 1851, elevou o povoado à categoria de Distrito.
Em 25 de agosto de 1892, por força da Lei Estadual nº 80, foi criada a Comarca de Santa Rita do Paraíso, que foi elevada a município por força da Lei Estadual nº 1038, de 19 de dezembro de 1906.
A escolha do nome Igarapava para substituir Santa Rita do Paraíso, era justificada pelo fato do Porto de Ponte Alta ser chamado Porto das Canoas onde várias canoas auxiliavam a barca na travessia do Rio Grande. Na língua dos nativos “igara” significa canoa pequena, feita de um único tronco, enquanto “pava” significa porto ou lugar onde se para.
Por isso a Lei nº 1097 de 04 de novembro de 1907 muda o nome do município e Comarca de Santa Rita do Paraíso, para Igarapava.
Durante sua trajetória até os dias atuais vários fatos históricos tiveram como cenário o município de Igarapava, sendo o mais importante, a Revolução de Trinta, onde a ponte de ferro construída em 1913, foi palco de grandes confrontos entre as Forças Legalista ( Paulistas ) e as Forças Rebeldes ( mineiros ) dos estados de Minas Gerais e São Paulo.
Atualmente, mais precisamente em maio de 2001 foi inaugurada uma nova ponte, com pista dupla, ponte esta que leva o nome do ex-governador André Franco Montoro.
Subindo o rio alguns metros nos deparamos com a Hidrelétrica de Igarapava, uma obra singular, se levarmos em conta a sua tecnologia em gerar energia e seu sistema de transposição de peixes, ambos inéditos no Brasil.

O Brasão de Armas - Emblema de Igarapava
Lei Nº 230


Dr. Alcides Antônio Maciel, Prefeito Municipal de Igarapava, Estado de São Paulo, usando das atribuições que me são conferidas por lei,

FAÇO saber que a Câmara Municipal decretou, e eu promulgo a presente Lei:

Artigo1º - O Município de Igarapava tem o seu emblema (Brasão de Armas) criado e regulamentado seu uso por esta Lei.

Artigo 2º - O emblema a que alude esta Lei deverá figurar em todos os impressos, cartões, papéis de correspondência e demais documentos que se refiram oficialmente ao expediente interno e externo da Municipalidade.

§ único - Poderá também o Brasão de Armas figurar em móveis, palanques oficiais e outros objetos pertencentes ou atinentes ao Município.

Artigo 3º - É facultado o uso do Brasão de Armas nas solenidades cívicas e escolares.

§ 1º - O uso do Brasão de Armas é vedado em solenidades que não tenham cunho cívico, ficando os infratores deste dispositivo sujeitos ás penas da lei.

§ 2º - Esta proibição é também extensiva para finalidades de propaganda comercial, particular e marcas industriais.

Artigo 4º - O Brasão de Armas apresenta os seguintes característicos.
- Escudo português de ouro, com uma rosa dos ventos simples de negro e prata, centrada de 1842, data da fundação do povoado, sobre uma faixa ondeada de azul com uma canoa de monção com dois remos tudo de ouro.
- Timbre, a coroa mural de ouro de sede do Município.
- Suportes, dois ramos de cana de açúcar entrelaçados.
- Dístico, IGARAPAVA, em letras de prata sobre listel de vermelho.

- § único - Simboliza este Brasão de armas, com o escudo tradicional português, nossa filiação primitiva, formadora da capitania de São Paulo.
A rosa dos ventos, com a indicação dos quatro pontos cardeais, simbolizando a rota seguida pelos bandeirantes, no desbravamento dos sertões, centrada com a data da fundação do povoado de onde se originou a cidade.
A canoa de dois remos, navegando num rio heradicalmente representado, simboliza o significado do nome da cidade (Em tupi-guarani: - IGARA - Canoa , PAVA - porto), localizada ás margens do Rio Grande, em divisa com o Estado de Minas Gerais.
Os ramos de cana e açúcar simbolizam a principal cultura agrícola do Município.

Artigo 5º - A reprodução do Brasão de Armas Municipal se subordinará sempre, em módulos, aos tamanhos tradicionais da heraldica isto é 7x em largura e 8x em altura, sendo obrigatório a verificação constante destes módulos e da distribuição estética e formato, perante o Arquivo Municipal ou a quem estas vezes fizer este Município.

Artigo 6º - O referido emblema será adotado quando os impressos atualmente em uso pela Municipalidade estiverem esgotados.

Artigo 7º - As despesas decorrentes com a execução desta Lei correrão por conta da verba 131 8.09-3-MATERIAL DE CONSUMO - Materiais de Expediente, suplementada se necessário.

Artigo 8º - Serão impressos e distribuídos pelo Município, pelo menos 500 (quinhentos) exemplares contendo a reprodução do emblema a que alude esta Lei.

Artigo 9º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de Igarapava, 23 de abril de 1957.
Alcides Antônio Maciel - Prefeito Municipal
REGISTRADA no livro próprio e publicada na Secretaria do Prefeito Municipal, data supra.
Luiz de Almeida Lima Secretário
Município de Igarapava - SP


Dados de sua Formação Administrativa e Judiciária
Antiga Capela de Santa Rita do Paraíso.
Fundada em 22 de Maio de 1842.
Distrito criado por efeito da Lei Provincial nº 7, de 7 de fevereiro ou abril do ano de 1851.
Elevado a Município, sob a denominação de Santa Rita do Paraíso, com território desmembrado do Município de França, em virtude da Lei Estadual nº51, de 14 de abril de 1873.
A sede do Município foi elevada à categoria de cidade, em virtude da Lei Estadual nº 1038, de 19 de dezembro de 1906.
A comarca de Santa Rita do Paraíso foi criada foi criada pela Lei Estadual nº80, de 25 de agosto de 1892.
Tomou a denominação de Igarapava, por efeito da Lei Estadual nº 1097, de 4 de novembro de 1907.